Momentos reais e imaginários


18/02/2009


Centro de São Paulo: algumas cenas

Para iniciar o trabalho, começo com retratos de acontecimentos no centro durante um final de semana:

Sábado:

- Turma de alunos de cursos de arquitetura se deliciam com prédios da Avenida São Luís

- Turma de moradores de rua se deliciam com o jantar oferecido pela Federação Espírita

- quadra da Vai Vai cheia de gringos e bacanas que gostam de samba na baixada da Bela Vista

- Na porta do meu condomínio sempre estão ali, em qualquer período do dia famílias completas de nordestinos que trabalham como camelôs pelas ruas do centro, incrível, mas falta coisa para fazerem, por isso ficam sempre papeando apenas. Mas garanto que ouço gargalhadas hilariantes deles!

 

Domingo:

- Bar Brahma lotado, motos maravilhosas estacionadas na São João com a Ipiranga

- Feira de Artesanato da República lotada, muita gente moderninha misturada ao povão e à mendigação

- Em frente, meninos de rua pedem um trocado no ponto de ônibus e um sujeito aparentemente bêbado toma uns empurrões de um segurança do Mc Donalds

- Restaurante italiano La Farina na Rua Aurora lotado

- Rua Guaianazes lotada de famílias provenientes do nordeste que não cabem em seus apartamento, e um pouco abaixo um horda de viciados em crack perambulam em tumulto contínuo com os traficantes os rodeando

- Avenida Rio Branco, altura da Ipiranga: dezenas de bolivianos jantam sentados junto às portas de estabelecimentos comerciais fechados. A comida é servida ali mesmo por outros bolivianos em seus carrinhos: o cheiro é bom, mas a aparência de uma sopa que vejo não é das melhores. Na saída do supermercado vários garotos de rua se aglomeram pedindo um trocado, um deles, aparentemente drogado repete tanto na minha ida como em minha volta: meu, eu não peguei seus documento... lembrei-me do surto das pessoas no filme “Fim dos tempos” onde as pessoas antes de se matarem começam a repetir seu último pensamento

- Festa gay na rua Vieira de Carvalho: incrível a quantidade de carrões nas imediações....

 

Fica clara a convivência de pessoas de várias classes sociais nesse espaço, ao mesmo tempo, elas estão distantes umas das outras. Não se conectam, não trocam experiências, e nem se distribui vida ou... bens! Ou há uma transferência de bens, de patrimônio ou o fosso social aumentará e chegará o dia em que a maioria pobre, desprezada, drogada se rebelará e tudo destruirá!

 

Escrito por William às 00h37
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